Adquiridos por US$ 200 mil (valor equivalente hoje a pouco mais de R$ 1 milhão, na conversão direta), os equipamentos permitem que pacientes com deficiências motoras severas andem, agachem, se movam para os lados e até subam degraus.
A tecnologia foi desenvolvida pela startup francesa Wandercraft e deve chegar entre agosto e setembro à instituição especializada em tratamentos avançados de reabilitação em São Paulo, que deu o primeiro passo para oferta do serviço no País.
Ligada ao SUS (Sistema Único de Saúde) e gerida pela Secretaria de Saúde de São Paulo, a Rede Lucy Montoro vai começar a usar dois exoesqueletos. Os modelos são do mesmo tipo que viralizou esta semana ao ser usado pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que ficou tetraplégica em 1994 após sofrer um acidente de carro.
A parlamentar, que está há 30 anos sem andar, disse que usar o exoesqueleto a fez reviver memórias e levou “de volta ao passado, quando corria maratonas” e falou que sentiu uma grande sensação de ”liberdade”.
Ela vê com bons olhos que governos estaduais pelo Brasil afora possam seguir a atitude de São Paulo e implementem exoesqueletos.
“Quando a gente investe em saúde e qualidade de vida entre a população, estamos também cuidando dos cofres públicos. Investir em tecnologia de saúde garante sustentabilidade para o nosso SUS. É olhar para a saúde como um todo. Gestores públicos com essa visão vão trabalhar para ter exoesqueletos em seus centros de reabilitação”, afirmou.

Sobre os modelos
Os modelos que chegarão ao Brasil chamam-se Atalante. Com vida útil projetada de cinco anos, os aparelhos podem ser usados por pacientes de até 90 kg.
Eles funcionam assim:
* Trajes robóticos, os exoesqueletos são acoplados ao corpo humano para reativar e ajudar na movimentação;
* Quando “veste” o exoesqueleto, o usuário dispensa andadores e conta com um sistema de controle de equilíbrio que dá maior estabilidade.
Ainda que se incline, o paciente não vai cair porque o robô mantém seu equilíbrio;
* O equipamento é programado para funcionar base nos objetivos do paciente;
* A tecnologia usa a força do próprio corpo para permitir que o paciente ande;
* O modelo não funciona com captação de impulsos cerebrais, já que não há eletrodos conectados ao cérebro.
* Pode ser usado por pessoas com lesão medular, Parkinson, esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica, traumatismo cranioencefálico, entre outras doenças ou condições que impactam os movimentos.
* Ele pode virar um equipamento de uso pessoal? As configurações personalizadas para cada paciente são feitas no tablet com sistema “WanderTouch”. Nele é possível verificar a quantidade de passos, as vezes em que agacharam, tempo de uso e até qual perna necessitou de mais assistência.
A tecnologia da empresa não está disponível em larga escala. Linamara Rizzo Battistella, professora da USP e idealizadora da Rede Lucy Montoro, aponta que o desejo é no futuro permitir que pacientes levem exoesqueletos para casa da mesma forma como ocorre hoje com cadeiras de rodas motorizadas.
A Wandercraft está atualmente trabalhando em uma versão pessoal que pode ser levada para casa. Além de Estados Unidos, França e agora Brasil, a empresa pretende expandir seu mercado e levar o exoesqueleto para a Alemanha e Espanha.

Point da Notícia com informações do Uol/Tilt
Fotos: Reprodução Instagram